Kayla Harrison admite que aposentadoria do MMA está próxima

Kayla Harrison admite que aposentadoria do MMA está próxima

Dona de um dos currículos mais decorados dos esportes de combate, Kayla Harrison sinaliza que sua carreira como competidora caminha para o fim. Bicampeã olímpica de judô, ex-campeã da PFL e atual detentora do cinturão peso-galo do UFC, a americana de 36 anos abriu o jogo sobre o futuro em recente participação no podcast "Deep Waters", reconhecendo que o corpo já não responde como antes.

Sequência de cirurgias cobra seu preço

Harrison revelou ter passado por quatro cirurgias nos últimos quatro anos, um desgaste físico que, segundo ela, impõe um limite natural à sua permanência na ativa. A mais recente intervenção, para correção de hérnias de disco na região do pescoço, tirou a lutadora dos treinos e das competições por meses e adiou a superluta contra Amanda Nunes, originalmente marcada para janeiro. O confronto entre as duas foi remarcado para o UFC 334, em novembro.

"Não por muito tempo eu consigo me manter lutando. Com certeza até não aguentar mais, mas... quatro cirurgias em quatro anos. Minhas rodinhas estão bambas, pessoal", declarou Harrison, em tom bem-humorado mas sincero sobre as limitações físicas. A atleta também comentou sobre o preço pessoal de uma carreira dedicada quase que integralmente ao esporte de alto rendimento, mencionando a rotina como mãe solteira de dois filhos, que concilia com os treinos e a educação domiciliar das crianças.

O corte de peso como obstáculo adicional

Além das questões físicas ligadas às cirurgias, Harrison enfrenta outro desafio diário: adequar o corpo ao limite da categoria peso-galo, de 61 kg. A trajetória da americana pelas divisões de peso é reveladora do esforço que isso representa. Nos tatames olímpicos, ela competia com 78 kg. Na PFL, já no MMA, foi campeã peso-leve, categoria com limite de 70 kg. A migração para o UFC trouxe a necessidade de perder ainda mais massa corporal, algo que a própria lutadora já classificou publicamente como uma experiência extrema.

Esse processo de desidratação, segundo relatos da atleta, chegou a ser descrito como "inferno" em desabafos anteriores. Por isso, Harrison avalia cobrar do UFC a reativação da categoria peso-pena feminina, hoje inativa na organização, com limite de 66 kg - uma mudança que, segundo ela, poderia prolongar sua vida útil competitiva ao tornar o corte de peso menos desgastante.

Amanda Nunes e o possível capítulo final

Com a superluta contra Amanda Nunes remarcada para o UFC 334, em novembro, cresce a expectativa de que esse duelo possa representar a despedida de Harrison do octógono. A brasileira, uma das maiores nomes da história do MMA feminino, surge como adversária de peso simbólico para fechar um ciclo tão vitorioso quanto desgastante. Nada foi confirmado oficialmente pela atleta americana quanto ao encerramento da carreira, mas o conjunto de declarações recentes reforça a sensação de que o relógio está correndo para uma das competidoras mais completas que os esportes de combate já produziram.